Excelentíssimo Senhor Vice Presidente da UNITA, Dr. Raul Manuel Danda
Excelentíssimo Senhor Secretário Geral da UNITA Franco Marcolino Nhany
Distintos membros do Comité Permanente da Comissão Política da UNITA
Digníssimos membros da Comissão Política da UNITA
Caros membros e militantes da UNITA
Ilustres convidados
Minhas senhoras e meus senhores:
Completaram-se
exactamente ontem, 17 anos desde que tombou em combate, JONAS MALHEIRO
SAVIMBI, o Presidente da UNITA, o homem que ao longo de décadas lutou
para arrancar das trevas do obscurantismo, da injustiça e da opressão o
seu Povo e o seu País.
Nascido na localidade de Munhango, bem no
interior do País, filho de pais humildes mas profundamente
nacionalistas, cresceu e viveu toda a sua vida resistindo e lutando para
que a sua pátria que tanto amava viesse um dia a ser verdadeiramente
livre.
Este homem que nas suas próprias palavras foi “soldado e
político ao serviço da justa causa do seu Povo, em cujo coração pulsou
forte a ânsia de libertação,.... amiúde mal compreendido, caluniado e
vilipendiado..” vai, este ano, finalmente levado a descansar eternamente
no local da sua própria escolha.
A UNITA, projecto de sociedade pelo
qual lutou e morreu, decidiu dedicar este ano de 2019 à consagração da
memória deste homem que marcou indelevelmente a história da nossa
querida Angola e fazer da data da sua morte,a data de início das suas
exéquias.
Assim, ao iniciarmos este ciclo de actividades
político-culturais em homenagem à Memória do Dr. Jonas Malheiro Savimbi
considero importante reflectir sobre a relação entre a memória e a
história para depois colocar aos angolanos um desafio que, uma vez
vencido, constituirá a maior contribuição para a consagração da memória
do Dr. Jonas Malheiro Savimbi.
Dimensões fundamentais da
experiência humana, memória e história são fenômenos interligados que
vivem em permanente relação de negação e de afirmação. Na distinção
proposta pelo historiador francês Pierre Nora, a história é “a
reconstrução sempre problemática e incompleta do que não existe mais”,
pois o que faz o historiador quando manipula suas fontes e escreve seu
texto movido por uma imaginação criadora é fornecer-nos através da
narrativa “uma representação do passado”.
Por outro lado, a
dimensão da memória é a própria vida, diz ele, “sempre carregada por
grupos vivos e, nesse sentido, ela está em permanente evolução, aberta à
dialética da lembrança e do esquecimento, inconsciente de suas
deformações sucessivas, vulnerável a todos os usos e manipulações,
suscetível de longas latências e repentinas revitalizações”.
Assim,
“a memória se enraíza no concreto, no espaço, no gesto, na imagem, no
objeto, em lugares, enfim, a memória opera no plano do sagrado e do
absoluto enquanto a história só conhece o relativo”.
Contudo, ao
que parece, essa distinção proposta por Nora entre as dimensões da
história e da memória não são tão evidentes assim para o historiador.
Nos processos sociais de construção de identidades, sejam elas de
pequenos grupos, comunidades, cidades ou mesmo países, essa distinção
tende a desaparecer, e a história e a memória marcham juntas a partir de
ordenamentos de poder e de clivagens socais determinantes.
De
facto, a memória é sobretudo uma história. É o modo pelo qual o
indivíduo mobiliza seu passado e atribui a este um sentido. A memória é o
resultado do trabalho de reapropriação e de negociação que toda a
pessoa faz em relação ao passado fundador da sua identidade, ou de sua
ilusão identitária.
Mas a memória é também uma espécie de antecâmara
da identidade onde cada um constrói sua própria história e se confronta
com a história dos outros, sejam amigos, amantes e inimigos.
Segundo sintetizou Jacques Le Goff, “a memória é um elemento essencial
do que se costuma chamar identidade, individual ou coletiva, cuja busca é
uma das atividades fundamentais dos indivíduos e das sociedades de
hoje, na febre e na angústia”.
Há, portanto, um cruzamento natural e
complexo entre a memória de Jonas Malheiro Savimbi e a verdadeira
História de Angola. Decorre daí que a construção da história que se
conta hoje como História de Angola foi um processo cultural em que
história e memória se fundiram para selecionar de modo incompleto e
deturpado as referências factuais, míticas e fictícias a partir das
perceções de um passado compreendido como comum.
Nacionalista
implacável, Jonas Malheiro Savimbi tinha Angola como uma constelação de
pequenas nações, um mosaico multicultural, cujos povos deviam negociar
um pacto social, um compromisso, para a construção da Nação angolana na
sua única Pátria, a Angola indivisível. Nenhum grupo étnico, nenhuma
cultura regional, nenhum Partido político, devia procurar hegemonia e
impor-se aos outros para dominar Angola. O Dr. Savimbi defendia que a
Pátria deveria ser igual para todos e beneficiar a todos. A busca dessa
unidade entre todos os povos de Angola levou o Dr. Savimbi a criar em
1966 a UNIÃO NACIONAL PARA INDEPENDÊNCIA TOTAL DE ANGOLA – UNITA, como
instrumento de luta tanto para a conquista da independência como para a
instauração do regime democrático em Angola e para uma governação
patriótica e transparente que corrigisse as assimetrias introduzidas
pelo colonialismo e garantisse a prosperidade e dignidade para todos os
filhos de Angola.
Jonas Malheiro Savimbi fez a sua luta num Mundo
bipolar, marcado pelo diálogo das armas, em que com frequência os mais
fortes ditavam a sua vontade sobre os mais fracos, mesmo quando não
tinham razão alguma. Ainda assim, ele soube sempre defender como
sagradas e inalienáveis a identidade africana de Angola, a nacionalidade
angolana multicultural, o respeito pela soberania popular no exercício
do poder político e o diálogo permanente entre governantes e governados,
no quadro de uma Angola una e indivisível, governada em democracia por
angolanos patriotas.
Nessa linha, o Presidente-fundador da UNITA
nunca se vergou aos interesses hegemónicos de nenhuma potência
estrangeira nem de nenhum grupo nacional. Intitulado pelo jornal
português o Tempo como o HOMEM DO PROJECTO ANGOLANO e homenageado por
outro Jornal também português, o Expresso, como O Guerrilheiro do Século
XX, Jonas Savimbi comandou exércitos, venceu batalhas, administrou
territórios, conquistou poder e geriu milhões de dólares, mas nunca
traíu a Pátria, nunca hipotecou o futuro do país, nunca utilizou os
recursos públicos para enriquecimento pessoal ou de seus filhos nem
desviou dinheiro de Angola para o estrangeiro.
Como resultado da
sua luta de resistência contra a dominação estrangeira e na sequência da
assinatura dos Acordos de Paz Para Angola, em Bicesse, Portugal, em 31
de Maio de 1991, Angola deixou de ser um Estado totalitário de partido
único e passou a ser um Estado Democrático de Direito. Deixou de ter
dois exércitos e passou a ter um só Exército, as Forças Armadas
Angolanas – FAA. Deixou de ter uma economia centralizada, e passou a ter
uma economia livre.
Estes são os factos históricos essenciais que
constituem a MEMÓRIA de Jonas Malheiro Savimbi. Ele foi um dos pais da
independência de Angola e uma das principais forças constituintes da
República de Angola e do seu Estado democrático de direito.
As
memórias construídas através de estruturas mentais formatadas pelos
paradigmas da colonização e da propaganda política divisionista e
neocolonial, não conseguiram apagar a realidade histórica nem o
imaginário mítico que envolve a presença eterna de Jonas Malheiro
Savimbi na memória colectiva dos angolanos, especialmente dos mais
desprotegidos por quem ele se bateu em primeiro lugar.
O Dr. Savimbi
não foi um governante, foi um visionário. Não foi um simples estadista,
foi o construtor do Estado e o fundador da República democrática. Ele
combateu o Estado totalitário colonial que se instalou em Angola depois
da II Guerra Mundial. E derrubou-o, em 1975. Logo a seguir, combateu o
Estado totalitário neocolonial que se instalou em Angola em 1975. E
derrubou-o, dezassete anos depois, em 1992, tendo deixado estabelecidos
os fundamentos para uma nova República e para a conquista da dignidade e
da igualdade entre os angolanos.
Savimbi não foi um político
corrupto que se serviu da guerra e da governação para defraudar Angola e
roubar o povo. Ele foi um verdadeiro patriota, que preferiu conviver
com o sofrimento do povo, nas aldeias e kimbos de Angola, para libertar o
País, do que usufruir os confortos das capitais europeias ou africanas
onde lhe queriam exilar. Preferiu o combate multiforme nas chanas, nas
margens dos rios, nos corredores da diplomacia, nas tribunas das
universidades e das organizações internacionais, do que aceitar os
ditames da corrupção política para capitular e trair a Pátria e a causa
dos oprimidos.
Porém, Jonas Savimbi não chegou a ver o cumprimento
de algumas das suas profecias sobre as consequências da falta de
equilíbrio e contrapesos no exercício do poder público e no controlo da
riqueza nacional. Como profundo conhecedor da gênese político-cultural
dos seus compatriotas que se apoderaram de Angola para desvirtuar a sua
memória e empobrecer os angolanos, o Dr. Savimbi previu as consequências
negativas da hegemonia na vida dos angolanos: o neocolonialismo faria
aumentar os níveis de discriminação e exclusão dos patriotas angolanos
dos centros de decisão, as fraudes e os assaltos ao erário público
aumentariam os níveis de pobreza no seio das maiorias, e os assaltos à
identidade angolana trariam a falência do sistema de educação e o
desprezo pelas línguas nacionais. A corrupção, o nepotismo e a
impunidade fixariam residência permanente nos centros do poder.
O
Dr. Savimbi previu, e profetizou, que um Estado hegemónico, sem
contrapoderes, seria facilmente capturado pela oligarquia e utilizado
como veículo corruptor da Nação. Ele previu que um Estado dominado por
um Partido corrupto levaria à degradação progressiva dos valores da
angolanidade, à subida vertiginosa e descontrolada dos preços, ao
aumento da criminalidade, à falência do sistema de justiça e à eventual
desagregação social.
Assim, as políticas segregacionistas de
desenvolvimento socioeconómico, os processos eleitorais fraudulentos, o
estabelecimento de heróis, datas nacionais e todos os símbolos e lugares
onde a nação possa ser pedagogicamente representada compõem, de forma
mais ampla, esse processo tridimensional de traição dos ideais da
independência de Angola, de captura do seu Estado democrático e de
adulteração da sua história.
Minhas senhoras e meus senhores:
O
que talvez o Dr. Savimbi não previu é a velocidade e a intensidade com
que esta degradação ocorreu, logo após a sua morte. Em cerca de dez
anos, compatriotas combatentes seus contemporâneos consolidaram sem pejo
seus actos de traição à Pátria, governantes passaram a roubar o País e o
povo, ao invés de governar, enquanto os Juízes tornaram-se comerciantes
subordinados ao poder político.
Também não previu que o seu
principal interlocutor no processo de paz e de construção da nova
República, o Engenheiro José Eduardo dos Santos, fosse percebido e
denunciado abertamente pelos seus próprios colegas como principal rosto
da corrupção e da impunidade.
Por outro lado, o Dr. Savimbi sempre
disse que há também verdadeiros patriotas no seio do MPLA e que com
estes é e será sempre possível construir a unidade nacional, combater a
corrupção e perspetivar a construção da Nação. Vou citá-lo:
“…A UNITA
está convencida que no dia em que houver patriotas angolanos a
assumirem a direcção do MPLA, irão terminar as contradições entre a
UNITA e o MPLA”.
Algumas das contradições entre a UNITA e o MPLA
Já terminaram no plano formal, fruto da luta política, diplomática e
militar dirigida pelo Dr. Jonas Malheiro Savimbi. Outras ainda não
terminaram no plano real.
Por exemplo, o MPLA já deixou de
defender abertamente o monopartidarismo e aceitou o princípio da
democracia multipartidária, defendido pela UNITA. O MPLA já deixou de
sufocar a liberdade religiosa, e aceitou o princípio da liberdade
religiosa, defendida pela UNITA. O MPLA já deixou de defender a economia
centralizada com os meios de produção controlados pelo Estado, e
aceitou o princípio da liberdade económica com base nas leis do mercado,
defendido pela UNITA. O MPLA já deixou de se considerar único e
legítimo representante do povo Angolano, e aceitou o princípio da
igualdade entre todos os angolanos, bem como o princípio da
representatividade plural do povo em órgãos plurais de soberania
constituídos com base em eleições democráticas, princípios estes
defendidos pela UNITA desde a sua fundação.
Porém, o MPLA não
mudou completamente, nem aceitou aqueles princípios no plano real, sem
reservas. O MPLA recorreu à corrupção para bloquear a afirmação efectiva
daqueles princípios e subverter assim a mudança efectiva do regime
político hegemónico que foi formalmente enterrado com os Acordos de
Bicesse em 31 de Maio de 1991 e com a transição constitucional que se
seguiu em 1992.
Este processo de subversão da afirmação do
Estado democrático por via da corrupção foi intencional, estruturado e
meticuloso. O objectivo era espalhar as águas turvas por todos os
sectores do Estado, da economia e da sociedade de maneira a que, no meio
da desorganização e da impunidade generalizadas, os roubos, os
excessos, as fraudes possam imperar sem qualquer freio dos poderes
instalados.
Assim, o regime actual, ou seja, o sistema político, a
economia política, o sistema de educação, o sistema de valores, o
sistema de justiça, o sistema eleitoral e o sistema de financiamento do
Partido estado fundam-se todos na corrupção, alimentam-se da corrupção e
sustentam a corrupção. Quem utiliza a autoridade que detém no Estado
para roubar o dinheiro do Estado e subverter o serviço público, também
falsifica documentos, sejam eles certificados de habilitações, ordens de
saque, títulos de dívida pública ou contratos. Quem rouba dinheiro,
também rouba votos. Todos os processos eleitorais têm sido eivados de
actos de corrupção na forma de fraudes processuais estruturadas com
objectivos subversivos claros: a fraude de 2008 foi planeada para
permitir a consagração, em 2010, de uma Constituição autoritária, para
servir como instrumento e não como fundamento do exercício do poder. A
fraude estrutural de 2012 serviu para potenciar os assaltos ao erário
público e “legalizar” os crimes económicos, e a fraude de 2017 baseou-se
na fraude de 2012 e foi planeada para consolidar a captura do Estado e
impedir a alternância democrática já antes decidida pelo povo.
É
esta a natureza da corrupção que foi institucionalizada pelo MPLA: Uma
corrupção sistémica, um ciclo combinado e interdependente, que foi
estruturado por uma oligarquia para subverter a transição efectiva para a
democracia e para a igualdade económica entre os angolanos. A própria
Direcção do MPLA perdeu o controlo e foi tornada refém da corrupção. O
MPLA, por sua vez, capturou o Estado e fê-lo também refém da corrupção e
o Estado, por sua vez, tornou a sociedade refém da corrupção.
Recordei
estes factos históricos sobre a corrupção porque ela constitui nesse
momento a principal contradição entre a UNITA e o MPLA. A contradição
reside no seguinte:
Sendo o MPLA o epicentro da corrupção em
Angola, pode o MPLA combatê-la com sucesso se ao mesmo tempo continuar a
utilizar a corrupção e beneficiar da corrupção para se manter no poder
de forma fraudulenta?
Esta é a grande questão que a consagração da memória do Dr. Jonas Savimbi coloca hoje a todos os angolanos.
Os
angolanos não se devem entusiasmar com meia dúzia de prisões de alguns
tubarões. Estas prisões não irão reduzir a pobreza, não irão aumentar a
produção interna nem garantir as transformações de fundo que o país
precisa de fazer nos sistemas de educação, saúde e assistência social.
A
luta que se faz hoje contra a corrupção é selectiva, incompleta e mal
direccionada. É selectiva porque parece dirigir-se apenas contra certas
pessoas do sistema, e não contra o sistema em si. O Sistema está montado
para financiar a sobrevivência do Partido estado com a corrupção. Todos
sabem que ministros, governadores e outros dirigentes são utilizados
para roubar o Estado e financiar o Partido Estado. Todos sabem que nas
eleições gerais de 2017 não houve apuramento provincial dos verdadeiros
resultados eleitorais pelas estruturas da CNE. Os resultados foram
fabricados e atribuídos, não foram apurados. Todos sabem disso, porque
foi amplamente denunciado pelos próprios comissários eleitorais em todo o
país. Em 2012, este acto de transcendente corrupção na forma de traição
à Pátria foi participado à Procuradoria Geral da República. O
Procurador geral na altura, respondeu-nos que não tinha competência para
conhecer o assunto. Recorremos da sua decisão ao Tribunal Supremo em
Abril de 2013. Até hoje, o Tribunal Supremo não se pronunciou sobre o
assunto.
Queremos combater a corrupção ou não?
Não se pode
pretender combater a corrupção e ao mesmo tempo pretender beneficiar
dela, mantendo intacta a infraestrutura eleitoral que se baseia na
corrupção só porque ela garante a hegemonia do Partido estado e sua
perpetuação no poder.
Não se pode pretender combater a corrupção
acusando apenas este ou aquele dirigente dos crimes de quadrilha e de
associação criminosa sem incluir como membro da quadrilha o associado
que estruturou e sustentou a quadrilha e beneficiou do produto do roubo
ou da fraude.
A luta que se faz hoje contra a corrupção é incompleta
porque concentra-se apenas na corrupção financeira e deixa de fora a
corrupção estrutural, a corrupção eleitoral e institucional, que são a
raiz e o tronco principal da corrupção. A corrupção financeira é apenas
um dos ramos da árvore.
A luta que se faz hoje contra a corrupção
está, por isso, mal direcionada. A verdadeira luta contra a corrupção
sistémica não pode ser dirigida para satisfação de objectivos políticos
pessoais ou de grupo. Ela deve ser dirigida contra o sistema corruptor,
montado e dirigido pelo MPLA. O seu objectivo não deve ser o
branqueamento da imagem de um Partido. O objectivo da luta nacional
contra a corrupção deve ser o resgate da Pátria e a libertação do Estado
das garras da oligarquia. Isto implica a mudança do regime, a mudança
do sistema no seu todo, a efectivação real da transição democrática
acordada em Bicesse.
Quando a UNITA denunciava a corrupção ao
longo desses anos, diziam que não tínhamos provas. Toda a gente via as
provas a olho nu. Carros topo de gama por todo o lado, titulares de
cargos públicos a exibirem riqueza e opulência no país e no estrangeiro.
Negócios consigo mesmos. Todos viam as quadrilhas. Todos viam as
associações criminosas, mas quando denunciávamos diziam-nos que não
tínhamos provas, éramos anti-patriotas…..
E agora? Afinal quem são os anti-patriotas?
Agora
que a liderança do MPLA reconheceu alguns dos actos de corrupção que
cometeu ao longo da História, incluindo, a fraude sobre a data da sua
criação, a fraude sobre a identidade do seu fundador, a fraude sobre os
seus presidentes, a fraude sobre o genocídio contra os seus dissidentes e
as fraudes eleitorais, é chegado o momento de se fazerem as correcções
necessárias à Constituição e às leis para que Angola termine de vez com
as fraudes institucionalizadas e continuadas.
Chegou a altura de a
Procuradoria-Geral da República começar a investigar os actos de
corrupção político-eleitoral com o mesmo zelo e tenacidade com que
investiga certos actos de corrupção financeira. Chegou a altura de se
fazer um novo registo eleitoral e de se estabelecer uma Administração
eleitoral realmente isenta e equilibrada, cujos membros estejam
protegidos pelo instituto da inamovibilidade durante os seus mandatos.
Prezados compatriotas:
A
consagração da memória do Dr. Jonas Malheiro Savimbi é também um
catalisador para perspectivar o futuro. E a grande questão que se coloca
hoje para determinar o futuro dos angolanos é a seguinte:
Tem o
Partido que capturou o Estado e o utilizou como veículo corruptor da
Nação credenciais para devolvê-lo à Nação como pessoa de bem mantendo o
captor as mesmas práticas e privilégios?
É que a grande prioridade
nacional é libertar o Estado. E libertar o Estado significa deixar de
haver um Partido que se confunde com o Estado, que manda no Estado e
utiliza os titulares de cargos públicos e os fundos públicos que eles
controlampara financiar ilegalmente as actividades do Partido.
Libertar
o Estado significa fechar todas as fontes estatais de financiamento
encapotado do Partido dominante e conformar a sua conduta à Constituição
e à lei.Assim como nenhum cidadão deve ser considerado “rico ou
poderoso demais para se furtar a ser punido”, também nenhum Partido deve
se sentir rico ou poderoso demais para capturar o Estado, roubar o
dinheiro e os votos do povo, defraudar as eleições e furtar-se a ser
punido.
Libertar o Estado exige a libertação efectiva da Comissão
Nacional Eleitoral para assegurar a sua independência. A CNE tem de
deixar de ser refém do Partido que institucionalizou a corrupção e
capturou o Estado. Para acabarmos com as fraudes eleitorais, Angola
precisa de libertar a Comissão Nacional Eleitoral e o registo eleitoral
dos cadeados do MPLA.
Libertar o Estado exige a revisão da
Constituição para assegurar que nenhum órgão de soberania tenha poderes
não sindicáveis e escape ao controlo e fiscalização da Assembleia
Nacional. A Procuradoria-Geral da República, as Forças de Segurança e os
Tribunais devem deixar de estar subordinados na prática às ordens
superiores de um Partido e passar a estar subordinados apenas e de facto
à Constituição e à Lei.
Angolanas e angolanos:
O processo de reformas conducente à libertação do Estado é um desafio que todos os patriotas angolanos devem assumir.
Para nós, UNITA, constitui um dos pilares da consagração da memória do
Dr. Jonas Malheiro Savimbi, um dos pais da independência e da República
de Angola.
Este processo só terá sucesso se for conduzido com
patriotismo, coragem e humildade, qualidades de grandes líderes supra
partidários, que colocam o interesse nacional acima dos interesses
particulares ou de grupos políticos e económicos.
Não é um processo
meramente político. É também um processo cultural, económico e social. É
também um processo histórico, porque vai corrigir as deturpações da
história recente de Angola.
De igual modo, não é um processo para
prejudicar ou beneficiar qualquer força política ou grupo económico. É
um processo dialogante, inclusivo e reconstituinte, que, do nosso ponto
de vista, deve ser dirigido pelo Chefe de Estado e não deve ter vencidos
nem vencedores.
O processo de reformas que advogamos para a
libertação do Estado é um processo que visa a afirmação da cidadania, o
resgate da democracia e a consolidação do Estado democrático enquanto
pilares para a estabilidade política e a recuperação económica.
Em nome de todos os patriotas angolanos que se inspiram ou revêm nos ensinamentos do Dr. Jonas Malheiro Savimbi,
Em homenagem à memória do Dr. Jonas Malheiro Savimbi,
Em meu nome pessoal e de todos os combatentes que, ao longo de cinco
décadas e sob a bandeira da UNITA, construíram a independência de Angola
e os fundamentos constituintes da República de Angola e do seu Estado
democrático ora capturado, a UNITA encoraja o Presidente da República a
“manter sagrados”, como afirmou, os “laços do contrato social entre
governantes e governados” e manifesta a sua total disponibilidade para o
diálogo conducente às reformas para a libertação do Estado democrático
na República cujos fundamentos o Dr. Jonas Malheiro Savimbi ajudou a
construir.
Com este acto solene comemorativo do XVII aniversário da
morte em combate do Presidente Fundador da UNITA, o Dr. JONAS MALHEIRO
SAVIMBI, DECLARO ABERTO O CICLO DE ACTIVIDADES ALUSIVAS ÀS SUAS
EXÉQUIAS.
Muito obrigado

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